Uma fatalidade

 

Era uma manhã, estava sol, o dia perfeito para se divertir, era 25 de Julho de 1967, terça-feira. Saímos em nossa lancha, ela tinha um motor de popa de sessenta cavalos deixando o clube Cota Mil em direção ao Iate Clube de Brasília, onde aconteceria a gincana. Diversas equipes precisavam cumprir uma série de tarefas. “Não queriam, em hipótese alguma, me levar. Isso é coisa de gente grande! Mas tanto fiz que fui.”

A primeira tarefa seria no Minas Tênis Clube, Eu, meu pai e meu primo descemos para encontrar uma pessoa que nos daria orientações. O nome dessa pessoa estava na carta. E a carta ficara na lancha, onde estava a minha mãe. Liguei o motor e pedi a carta.

Ao pular de volta no lago com a carta, esbarrei no mancho (acelerador) e o acionei violentamente. “Bati a cabeça no casco e desmaiei. Desapareci no fundo do lago e a água ficou toda vermelha.”

O socorro foi imediato: Quem o tirou da água foi um atleta que estava em uma lancha próximo ao local do acidente. Não dava tempo de aguardar a ambulância, o colocaram em uma combi com vários médicos que passavam o domingo no Minas Brasília Tênis Clube. Foi atendido na emergência do hospital de base, a equipe de médicos que estava de plantão foi muito mais que competentes. Fizeram o impossível, pois eu estava mais morto que vivo! Durante a cirurgia de emergência aqui no plano terreno, meu avô, com sua fé e auxiliado pelo irmão Francisco, esteve com os médicos no momento da operação, por meio de uma energia sutil e especial, auxiliando espiritualmente durante todo o processo.

 E não apenas isso, a proteção especial também me foi concedida por meio de uma especial rede protetora que se chama AMOR.  Alexandre de Andrade Mascarenhas tinha apenas 10 anos de idade quando sofreu uma fratura no crânio, que provocou uma lesão cerebral. Deixando-o sem os movimentos do braço e da perna esquerda.

 Teve que passar pelo Hospital SARAH logo no inicio do tratamento, passou seis meses na condição de cadeirante. Passou vários meses dependentes de uma muleta canadense. Até que voltou a caminhar livre e independente. Decidi não parar a minha vida em função de uma posição de vítima.  Recebi muito amor de familiares, principalmente dos meus pais e amigos. O que ajudou muito na minha recuperação.

 

Um novo rumo, uma nova história

 

   

“A minha vida, portanto, continuou segundo seu próprio rumo”. Não chegou a perder nenhum ano na escola, terminou o básico, fez o médio e entrou na universidade. Realizou o curso que desejava Comunicação Social (Jornalismo). Ainda no segundo semestre da UNB, conseguiu um emprego no jornal de Brasília e iniciou, bem cedo, a sua carreira, como jornalista.

Trabalhou na revista Veja, na Radiobrás, no jornal José, no CNPq (divulgação cientifica), na UCB (Universidade Católica de Brasília), onde foi gestor do projeto Novo Sol. Criou e assumiu a assessoria de comunição da Check-check e teve uma intensa atividade cultura (literatura e teatro) principalmente aqui em Brasília. Morou dez anos no sul do país em Florianópolis com a esposa e a filha.

 Foi muito descriminado pelas pessoas preconceituosas e sofre com isso até hoje, depois de 42 anos após o acidente. Já foi colocado para fora de lojas consideradas chiques (verdadeiros chiqueiros com gente porca), um velho, sindico do condomínio onde morava em Florianópolis, com a intenção de ofende-ló em público o chamou, aos berros, de aleijado (entrei com um processo na comissão de Direitos Humanos da OAB/SC). Hoje Alexandre de Andrade Mascarenhas, 52anos, trabalha na faculdade IESB há três anos, como professor do curso de Jornalismo, desde Setembro de 2006 e ama o que faz.

 

 

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