Futebol feminino ganha espaço e supera preconceito

Time Meninas da Capital

 O batom, o perfume, o creme e o gel no cabelo delicadamente arrumado só intensificam o que elas são: determinadas,  dedicadas e batalhadoras! Assim, sem anular ou ignorar as diferenças entre o masculino e o feminino.

 A mulher, em geral, sempre sofreu discriminações e preconceitos para praticar esportes e principalmente, no caso específico do futebol feminino no Brasil. Foi-se o tempo em que futebol era coisa de homem, o time das Meninas da Capital é prova disso. Elas fazem bonito em campo sem perde a feminilidade e a vaidade, conciliam a vida agitada de treinos no clube Clube Recreativo Esportivo Sub-Tenentes e Sargentos da Polícia Militar (Cresspom/DF), com de universitárias.

A capitã do time, Daniela de Oliveira, 30 anos, relata que é preciso muita coragem e força de vontade para enfrentar todos os obstáculos para manter a vida profissional. A estudante do sexto período do curso de Contabilidade deixa bem claro. “A vida de jogadora é muito corrida, com treinos intensos, exercícios físicos e ainda tem os estudos que não podemos deixar de lado. Conciliar estudos, família, amigos e futebol é uma responsabilidade muito grande e muita vezes você tem que priorizar os fatores mais importantes, nem sempre dar para conciliar tudo,” ressalta Daniela.

Hoje em dia ainda existe um certo preconceito por parte da própria família que  não incentiva e reprova a prática e as jogadoras precisam lutar dentro e fora do campo para seguir nesse esporte tão valorizado quando se trata de time masculino. “Sempre gostei do esporte, comecei jogando peladas na rua com meus vizinhos, meu padrasto e minha mãe logo perceberam meu talento com a bola e começaram a me levar para treinar em escolinhas de futebol. meus pais sempre me acompanharam e apoiaram em tudo. Cheguei a jogar Handebol, mas acabei me profissionalizando em futebol,” conta a capitã do time.

Mesmo inseridas em um contexto dominado por homens e arcando com a responsabilidade de viver no país do futebol, é flagrante observar a desigualdade vivida por elas. A diretora de Administração do time Renata Oliveira, destaca que por conta desse preconceito que ainda existe em relação ao futebol feminino, as jogadoras enfrentam as diferenças de maneira valente, pois sofrem justamente por essa contradição, já que só há privilégios, prestígios, recursos, condições e dinheiro no futebol masculino.

“Elas sabem que para garantir esse espaço precisam superar esse preconceito, lutar por melhores condições e pela garantia de realização e satisfação dentro dessa atividade esportiva e dependem dessa conquista para manter sua opção profissional. Algo precisa ser feito pelo e para o futebol feminino para reparar esse erro,” ressalta a diretora.  (O que eu acho é que o mundo precisa de pessoas apaixonadas. Por elas mesmas.) Fernanda Mello

O Cresspom teve sua primeira participação em 2001 no campeonato brasiliense de futebol feminino onde sua colocação foi 4º lugar é foi o único time a participar de três edições da Copa do Brasil de Futebol Feminino de Brasília. Desde então colabora de forma direta para a renovação da seleção brasileira de futebol feminino principal, sub-20 e universitária, tendo em diversas ocasiões muitas de suas atletas convocadas a participar do elenco verde e amarelo.