Projeto Escritores brasileiros recebe a escritora Adélia Prado

Sobre a poetisa Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade uma vez disse: “Adélia é lírica, bíblica, existencial”. Por intermédio dele e de Affonso Romano de Sant’Anna, suas linhas ganharam a admiração das editoras, críticos e do grande público da literatura nacional. A professora saiu das salas de aula, depois de 24 anos de magistério, para alcançar o posto de uma das mais importantes escritoras do país. Adélia deixou a pequena cidade mineira de Divinópolis, onde passou toda a vida, para conversar com os leitores brasilienses. O encontro será nesta quarta-feira (14/9), às 19h30, no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), como parte do projeto Escritores brasileiros, que está em sua segunda edição em Brasília. Amanhã, às 20h, ela estará no Sesc Ceilândia.

Na cidade, falará sobre sua vida e a trajetória artística, que inclui 15 livros de prosa e poesia, seis antologias e duas obras em parceria com outros autores. “Há muito tempo viajo com Adélia. Fizemos vários projetos juntos. A plateia enloquece com ela, inclusive eu”, relata o curador e idealizador do projeto, Marcelo Andrade. O último encontro dos dois foi há cerca de oito meses, quando Affonso Romano de Sant’Anna esteve em Minas Gerais para um evento literário. “Ela estava na plateia e ele no palco, e os dois criaram um diálogo maravilhoso. Até de física quântica falaram, já que a Adélia anda estudando o assunto”, relatou Andrade.

Pela primeira vez no Escritores brasileiros, a obra literária não ganhará a interpretação de um ator. O curador sugeriu, e o CCBB acatou, que a própria Adélia selecionasse e fizesse a leitura de seus textos e poemas. O motivo é simples. “Ela é uma grande atriz, uma intérprete maravilhosa, ninguém a lê como ela mesma. Adélia vai na alma, é de uma dramaticidade, de uma verdade e de uma lucidez atordoantes”, elogia ele.

O interesse pela obra da escritora mineira é crescente, garante o curador do projeto. Por onde passa divulgando o trabalho de Adélia, ele encontra auditórios lotados. “Uma vez a levei a um encontro com os estudantes da Universidade de Viçosa, em Minas, debaixo de uma chuva torrencial e não havia lugar para mais ninguém no auditório. São pessoas de todas as idades”, assegura.

Para que esse privilégio não fique restrito a universitários e aos frequentadores de livrarias, o projeto vai comprar alguns exemplares de cada escritor selecionado para esta edição, com o intuito de doar para bibliotecas públicas da cidade.

Fonte: Correio Braziliense

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