Shows rendem homenagem ao canto torto de grandes nomes da música brasileira

Personagens importantes da história da Música Popular Brasileira tiveram a trajetória marcada por assumirem posições pouco ortodoxas ou por terem sido levados a elas. Alguns deles serão homenageados em série de shows do projeto Anjos Tortos — A MPB Gauche na Vida, que ocupa, a partir de amanhã, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). As apresentações, de quinta-feira a domingo, sempre às 21h, prosseguem até 2 de outubro. Quem abre as homenagens é Max de Castro, amanhã e sexta, interpretando canções do pai, Wilson Simonal.

Há algo que, sob algum aspecto, une os artistas que são objeto de tributo de Anjos Tortos. De Wilson Simonal a Itamar Assumpção, passando por Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Waly Salomão, todos foram artistas geniais — e geniosos — que, em vez de se submeterem à mídia, tiveram como propósito fundamental viver e criar sempre com intensidade. “Queríamos trazer à cena parte do repertório primoroso de poetas populares, alguns deles à margem da indústria”, explica a curadora Monica Ramalho.

Na sequência de shows, sobem ao palco do CCBB: Jorge Mautner para celebrar Raul Seixas (sábado e domingo); Xangai para cantar Sérgio Sampaio (dias 22 e 23); Chico César para saudar Torquato Neto (24 e 25); Jards Macalé para lembrar Waly Salomão (29 e 30); Anelis Assumpção para reverenciar Itamar Assumpção (1º e 2 de outubro). “Convidamos cantores que, direta ou indiretamente, têm uma relação com esses baluartes da música brasileira”, acrescenta.

Max de Castro foi incentivado por Simonal no início da carreira. Jorge Mautner tem muita afinidade com o universo de Raul Seixas e de Paulo Coelho, o parceiro dele. Além de amigos, Sérgio Sampaio e Xangai eram compadres. O soturno Torquato Neto tem, no solar Chico César, um quase discípulo. Torquato é o autor da canção inspirada em poema de Carlos Drummond de Andrade que nomeia a série. A parceria entre Waly Salomão e Jards Macalé rendeu ao universo da MPB clássicos da importância de Mal secreto e Anjo exterminado, gravados por Maria Bethânia; e Vapor barato, com a qual Gal Costa brilhou intensamente no Fa-tal — espetáculo que entrou para a história do show business nacional, posteriomente registrado em álbum duplo. O vanguardista Itamar Assumpção, com obra irreverente e repleta de crítica social, teve a filha Anelis Assumpção como backing vocal, no começo da carreira dela. Influenciada pelo pai, ela produziu o primeiro álbum, sob o título Sou suspeita, estou sujeita, não sou santa.

Pai e filho
Todos os shows do Anjos Tortos serão temáticos e trarão no título referências aos artistas homenageados e aos que vão reverenciá-los. Amanhã e sexta-feira, na abertura da programação, o público assistirá ao espetáculo País tropical: sei de cor o amor que tenho por você. Sucessos inesquecíveis lançados por Simonal como Meu limão meu limoeiro, Vesti azul, Nem vem que não tem e, claro, Pais tropical serão recriados por Max de Castro.

Um dos mais influentes representantes de sua geração, Max vai mostrar também canções autorais, entre elas E ocaso de perguntar, A ciranda ao redor da galáxia e Candura; e parcerias com Erasmo Carlos (A história da morena nua), Seu Jorge (Nego do cabelo bom), Marcelo Yuka (Os óculos escuros de Cartola) e Bernardo Vilhena (Samba raro e Onda diferente). Ele será acompanhado pela banda formada por Robinho Tavares (baixo), Márcio Forte (percussão), Bruninho Marques (bateria), Sidmar Vieira (trompete) e Denilson Martins (sax).

Na estreia do projeto, antes do show, às 19h, Monica Ramalho (brasiliense radicada no Rio de Janeiro desde os dois meses de idade) vai mediar mesa-redonda, com a participação de Toninho Vaz, Fred Coelho e Luiz Carlos Maciel. O mote do debate será a contracultura, produzida no país nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Toninho aproveitará para lançar o livro Solar da fossa — Um território de liberdade, impertinências, ideias e ousadias (Editora Casa da Palavra), sobre casarão em Botafogo (RJ) onde moraram, na época da ditadura, nomes de destaque das artes nacionais, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Paulinho da Viola, Torquato Neto e o escritor e senador Cristovam Buarque.

Que tipo de influência você absorveu de Simonal?
Está literalmente no DNA. Convivo com o legado deixado por ele desde que nasci. Tomei contato com a obra de meu pai antes de desenvolver o gosto pela música. Destacaria o bom gosto, a musicalidade, o balanço e a capacidade de comunicação

Qual disco melhor representa a trajetória dele?
Simonal não era um artista só de disco. Ele era brilhante no palco, um showman que cantava, dançava, contava piadas e ainda apresentava programa na tevê. Entre os discos, destaco A nova dimensão do samba (1964), Show em Simonal – Ao vivo (1967) e a série Alegria alegria (de 1967 a 1969).

 » Hoje e amanhã — País tropical: sei de cor o amor que tenho por você — Max de Castro canta Wilson Simonal. Amanhã, às 19h, haverá mesa-redonda sobre o tema A contracultura nos anos 1960, 1970 e 1980, com entrada franca.

» Sábado e domingo — Maracatu atômico: Quero ser locomotiva — Jorge Mautner canta Raul Seixas
» 22 e 23 — Bloco na rua : Nóis é jeca mais é joia — Xangai canta Sérgio Sampaio
» 24 e 25 — Anjo torto: Diz aí como é que é  Chico César canta Torquato Neto
» 29 e 30 — Vapor barato: Não preciso de gente que me oriente — Jards Macalé canta Waly Salomão
» 1º e 2 de outubro — Nega música: Luz nos meus olhinhos —  Anelis Assumpção canta Itamar Assumpção

Sempre às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul). Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (meia).
Informações: 3108-7600. Não recomendado para menores de 14 anos.

Fonte: Correio Braziliense

 

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